Revista Caminhos o Melhor do Brasil – Versão Digital

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https://issuu.com/revistacaminhos/docs/revista_digital

 

 

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Lançamento da Revista Caminhos

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O Projeto Re (vi) vendo Êxodos convida a todos e a todas para o Lançamento da Revista Caminhos: O melhor do Brasil. Nosso primeiro número, com belíssimas produções de alunos, artistas, amigos e parceiros. Isso já demonstra que se trata de uma publicação COLETIVA.

O lançamento será no dia 25/11/16 no Pamonhão Kalú, 105 norte, tradição de Brasília, às 17 horas. Teremos um Sarau com palco aberto. Venha somar com sua poesia, arte, música…!!! Venha fazer parte, venha conhecer a CAMINHOS.

Pesquisa de Campo: Pirenópolis/GO

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18 de Julho de 2016.

A experiência em Pirenópolis me fez perceber que eu tenho que começar a perceber ao meu redor. Com a vida muito corrida, e as vezes nem é a nossa rotina, mas só a movimentação das ruas já torna a nossa vida movimentada. Pessoas maravilhosas e contatos com coisas que não estão no meu cotidiano, como ouvir histórias de uma poeta. E também saber que pequenas instituições podem ser tão importantes para o meio ambiente e para as pessoas que sonharam com aquilo um dia. Foi tudo tão lindo de se ver. Na volta pra Brasília, fiz uma poesia.

(Leia a poesia)

Pesquisa de Campo em Pirenópolis – Julho 2015

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Foi realizada nesse fim de semana, a primeira pesquisa de campo do projeto em 2015. Contamos com a participação de quarenta e seis pessoas sendo: 23 alunos do Centro de Ensino Médio Setor Leste, 12 do Centro de Ensino Médio da Asa Norte-CEAN, 8 monitores (Beth, Gabriel ,Hugo ,João, Luiz, Maisa, Rodrigo e Sabrina) 1 professora (Márcia-Setor Leste) e os Coordenadores das duas escolas: Luiz Guilherme e Marcus Vinícius. As duas escolas, juntamente com o Centro Educacional do lago-CEL Coordenado pela Suzan e o CEF Nova Bethânia Coordenado pelo Carlos. Ambas as escolas proporcionam aos alunos uma perspectiva pedagógica linda. A cada ano é possível ver vivo o sonho de pessoas que acreditam muito na educação pública de qualidade.

Primeiro Dia

Luiz, Sabrina e eu(Maísa) conhecíamos os alunos do CEAN que participaram da pesquisa, surpresa foi ver que no Setor Leste, apenas uma aluna já tinha participado, os demais estavam tendo seu primeiro contato, em campo, com o projeto. Como de costume ajudamos na logística da saída do Setor leste colocando os materiais no ônibus e checando o embarque dos alunos. A viagem foi tranquila e nos apresentamos, no decorrer do caminho, aos alunos. Graças a Suzan, Rafael e muitos outros que não puderam estar presentes, contamos com o material de apoio e o material pedagógico utilizado em piri. Ficamos os três dias na escola Luciano Peixoto que é de ensino fundamental e tem turma de EJA a noite. Fomos recebidos com uma ótima estrutura e de braços aberto pela diretora Nayra. Logo de cara, vimos uma montanha nos fundos da escola, que encheu os olhos de todas pela beleza e fez com que muitos refletissem a respeito da diferente de visual que temos nas nossas escolas aqui em Brasília. Fomos para o centro da cidade caminhando como de costume e pudemos ver a beleza da cidade a Igreja Matriz, que foi incendiada e restaurada, o Teatro, lojas e pessoas que ali estavam. Tivemos a oportunidade de ver a apresentação de uma banda da Cidade conversar com o um dos integrantes e bater um papo também com o Secretário de Cultura. Voltamos para a escola e enquanto uns comíamos outros tomavam banho… banho de um minuto para todos haha. Batemos um papo na roda e todos se apresentaram falando o nome e algo que gostavam. Feito breves relatos sobre as impressões, até aquele momento, fomos dormir.

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Segundo Dia

As 06h30min acordamos os alunos. Tomamos o café, fizemos nossa roda e todos foram preparados para o dia que seria longo e proporcionalmente lindo. Fomos caminhando em duplas para o centro e visitamos o Memorial das Cavalhadas e a Igreja Matriz (assim como o museu que contem a sua história e o processo da sua restauração).Voltamos para almoçar, a comida que nos foi preparada estava uma delícia. Lembro que foi uma das poucas vezes que vi mulheres comendo sem medo das amarras impostas pela sociedade que diz que temos que comer pouco e sermos educadas. Observei todos com fome e com gratidão pelo alimento que “não era nada de mais” Feijão tropeiro, arroz branco, salada, Fricassê (que todo mundo teimou em chamar de estrogonofe hahaha), suco e paçoca de sobremesa. Feito isso, foi dado um tempo de descanso para que todos escrevessem seus relatórios ou fossem tirar um cochilo. Por volta de 16h30min fomos caminhando até o centro em direção ao Museu das Cavalhadas. Fomos ver e bater um papo com a Secretária de Educação de Pirenópolis e o Secretário da Cultura. Paralelo a isso os monitores faziam a montagem da exposição, que no começo do ano foi montada na Praça do Cidadão em Ceilândia, nos fundos do Museu das Carvalhadas. O Luís bateu um papo com os alunos que depois foram divididos em quatro grupos, acompanhados de um monitor em cada para fazerem entrevistas na cidade. O grupo em que fiquei saiu por último, então perguntei para a moça da recepção do museu se ela conhecia alguém bacana para dar entrevista e ela falou da Dona Marieta. Na hora me lembrei de que eu a conheci ano passado, em uma pesquisa de campo, então tinha certeza que daria certo irmos ao encontro dela. Atravessamos a ponte do Rio das Almas e a direita, na terceira casa, lá estava o momento intenso vivido pelo grupo. Mesmo sem a gente ter marcado aquela entrevista, ela nos recebeu de braços abertos e com histórias sempre cativantes. Conforme os meninos e meninas perguntavam lágrimas dos olhos de muitos surgiam e sorrisos espontâneos brotavam. O auge do êxtase de todos ali presentes foi quando lindamente dona Marieta recitou seu primeiro poema. Ela que é mulher, negra, revolucionária, Mestre Grió e muitas outras coisas, nos mostrou naquele instante ser um patrimônio imaterial vivo diante dos nossos olhos. A conversa foi tão boa que acabamos entrevistando só ela e depois já era hora dos alunos lancharam. Deu tempo de dar um rolê na feira que acontecia na cidade, passar pelos restaurantes e bares movimentados e irmos a loja de artesanato para compra lembrancinhas. Feito isso, fomos para igreja Matriz por volta das 19:30 para o reencontro com os demais grupos. Naquela noite enquanto esperávamos todos, vimos um casamento acontecer, deu para ver a noiva saindo ou entrando (não me recordo com exatidão de qual dos dois momentos). Fomos à feira que estava acontecendo e por volta de 21h voltamos para a escola. Os alunos tomaram banho e depois, enquanto jantávamos em roda, foi aberto um bate papo sobre as nossas impressões e o que cada um estava sentindo até ali. Pense num papo bom (hahaha) que foi até 00h15 mais ou menos, depois fomos todos dormir.

Terceiro Dia

Acordamos os alunos as 06h30min e tomamos o café da manhã em seguida. Fizemos a roda para nos despedir da escola e agradecer a tudo que a cidade proporcionou nesse fim de semana. Os alunos fizeram suas colocações e deram lindos depoimentos. Partimos rumo à chácara do Tadeu, parceiro do projeto juntamente com o IPHAN. Depois de cerca de 30 minutos chegamos e fomos muito bem recebidos por ele. Como a estrada é de terra, em um trecho até a chácara, o Tadeu deu uma carona no carro até lá. Mas a maioria foi de carona com um trator (hahaha). Os monitores fizeram uma oficina de forró(muito boa por sinal), depois rolou uma dinâmica com poesias, nesse momento cada um lia uma se quisesse e fizemos troca entre elas. Esse momento foi importante e bonito por demais. Visitamos a capela São João Menino e por coincidência Seu Isaías, que é o escultor-artista responsável por grande parte da capela, estava lá. Tadeu e Seu Isaías contaram sobre o processo e porque da construção da capela naqueles moldes. Almoçamos e descansamos um pouco. Todos foram preparados, para na volta ao ônibus, irmos caminhando. Nesse momento aconteceu a última roda, agradecemos a acolhida do artista e do dono da casa. Alguns foram de carona com o Tadeu, mas, a maioria foi caminhando mesmo (a poeira os uniu). Conforme a chegada, todos foram para o ônibus e no caminho trocavam suas histórias, risadas, piabas, brincadeiras ou simplesmente dormiam. Paramos uma vez para lanchar e ir ao banheiro. Chegamos no Setor Leste por volta das 18:20 e cada um foi se ajeitando com caronas ou indo de ônibus mesmo pra suas casas. Como moradora do Paranoá sabia que o Gabriel (monitor) e o Mateus (alunos) moravam lá, então tentávamos um carona para o nosso bonde (hahaha). Acabei descobrindo que o Douglas (aluno) também mora lá então decidimos ir todos juntos. O pai do Douglas levou a gente e nesse fim de pesquisa senti desses dois alunos muita maturidade e sede de continuar no projeto. O primeiro porque desde a sétima série conhecer o projeto através de seu irmão, Lucas que participou comigo da caminhada de 2010. Ele disse que o irmão voltou diferente. Então ele sempre soube que um dia iria participar. O segundo, sempre quis participar do projeto quando o conheceu, no Setor Leste, mas só agora no terceiro ano está tendo essa oportunidade. Ambos relataram a intensidade desses três dias como se fossem bem mais que isso, colocaram em seus breves relatos a admiração pelo projeto e seus medos de que isso acabe. Lembra que antes de agradecer pela carona, falei o que repetir muitas vezes nessa pesquisa “Gente, fale o quanto esse projeto é bom, o boca a boca é nossa maior divulgação”

Maisa Fidelis